A safra brasileira de soja 2026/2027 começa com expectativa de crescimento da produção, mas também com preocupações sobre os custos, o clima e os riscos de perdas nas propriedades rurais. Além dos desafios enfrentados dentro das lavouras, a presença de javalis e javaporcos em áreas agrícolas amplia a necessidade de medidas de proteção.
A primeira projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), citada em análise do especialista Bruno Nolasco, aponta para uma colheita de 181,64 milhões de toneladas de soja, aumento de 0,7% em relação à safra anterior.
A área cultivada deve alcançar 49,3 milhões de hectares, crescimento de 1,4%. Apesar da expansão, a produtividade média está projetada em 3.683 quilos por hectare, recuo de 0,8%.
O cenário indica que o aumento da produção nacional deverá depender principalmente da ampliação da área plantada, enquanto o rendimento médio das lavouras poderá apresentar uma pequena redução.
Clima pode dificultar o desenvolvimento da soja
As condições climáticas estão entre as principais preocupações para o novo ciclo agrícola.
Segundo a análise baseada nas projeções da Conab, a possível influência do fenômeno El Niño pode alterar a distribuição das chuvas e as temperaturas nas regiões produtoras.
No Cerrado, a perspectiva apresentada é de períodos com menos chuva e temperaturas elevadas, condições que podem prejudicar o estabelecimento e o desenvolvimento das plantas.
O estresse hídrico e térmico também pode favorecer problemas fitossanitários, dependendo das condições locais e da presença de pragas e doenças.
Outro risco está relacionado ao calendário agrícola. Atrasos no plantio da soja podem reduzir a janela disponível para o cultivo da segunda safra de milho, conhecida como safrinha.
Por isso, o acompanhamento das condições meteorológicas e o planejamento das operações agrícolas tornam-se especialmente importantes.
Javalis e javaporcos ampliam riscos nas propriedades
Além dos fatores climáticos, os agricultores precisam considerar ameaças externas às lavouras.
Entre elas está a presença de javalis e javaporcos, animais que podem causar prejuízos ao revolver o solo, destruir a vegetação e entrar em áreas cultivadas em busca de alimento.
Esses animais pertencem à espécie Sus scrofa, que inclui javalis, porcos domésticos que passaram a viver em estado selvagem e cruzamentos entre esses grupos.
São considerados espécies exóticas invasoras no Brasil e apresentam elevada capacidade de adaptação a diferentes ambientes.
De acordo com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) citadas pelo especialista, a ocorrência desses animais tem avançado pelo território brasileiro, inclusive em regiões do Centro-Oeste e do Norte.
A presença dos suínos asselvajados também representa uma preocupação sanitária, devido à possibilidade de circulação de agentes causadores de doenças que afetam animais de produção.
O manejo e o controle desses animais estão sujeitos a regras específicas estabelecidas pelos órgãos ambientais, incluindo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Cercas ajudam a prevenir danos às plantações
A proteção das propriedades rurais vai além da delimitação dos terrenos.
Segundo Bruno Nolasco, técnico em agropecuária e gerente de negócios agro da Belgo Arames, as cercas também podem funcionar como barreiras para reduzir a entrada de animais e controlar o acesso a áreas produtivas.
Em regiões com ocorrência de javaporcos, a escolha da estrutura precisa considerar a resistência dos materiais, as características do terreno e a capacidade de contenção.
Uma das alternativas apresentadas pelo especialista é a utilização de telas com múltiplos fios horizontais, que formam barreiras contínuas e dificultam a passagem dos animais.
Modelos com 11 fios horizontais e galvanização pesada são citados como opções para instalações expostas às condições ambientais do campo.
Entretanto, a eficiência da proteção depende do dimensionamento da cerca, da qualidade da instalação e da manutenção periódica.
Resistência dos materiais influencia a durabilidade
A escolha dos arames também interfere na resistência e na vida útil das estruturas.
Em trechos sujeitos a maiores esforços de tração, podem ser utilizados arames de alta resistência, conforme as necessidades da propriedade.
Nolasco cita materiais com resistência de até 700 kgf e revestimento de zinco e alumínio, empregados para aumentar a resistência mecânica e a proteção contra corrosão.
A quantidade de fios, o espaçamento, os pontos de fixação e a instalação dos mourões precisam ser definidos de acordo com o relevo e os riscos identificados.
Uma cerca inadequada pode apresentar pontos vulneráveis, especialmente em terrenos irregulares ou locais com maior circulação de animais.
Por isso, o planejamento da estrutura deve considerar as características específicas de cada propriedade, em vez de adotar uma solução única para diferentes situações.
Prevenção de perdas ganha importância econômica
Em uma safra com margens de rentabilidade pressionadas, a prevenção de danos pode representar uma medida importante para preservar o investimento realizado pelo produtor.
Os custos de implantação da lavoura envolvem sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, mão de obra e outras despesas que precisam ser compensadas pela produtividade obtida.
Quando ocorrem perdas provocadas por condições climáticas, problemas sanitários ou entrada de animais, a capacidade de recuperar esses investimentos pode ser comprometida.
Nesse contexto, a gestão de riscos deve considerar tanto o manejo agronômico quanto a infraestrutura de proteção da propriedade.
A análise de Bruno Nolasco aponta que antecipar ameaças e investir em medidas preventivas pode ajudar os agricultores a reduzir prejuízos ao longo do ciclo produtivo.
O que você precisa saber
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Indicador |
Projeção para 2026/2027 |
|---|---|
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Produção brasileira de soja |
181,64 milhões de toneladas |
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Variação da produção |
+0,7% |
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Área plantada |
49,3 milhões de hectares |
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Variação da área |
+1,4% |
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Produtividade média |
3.683 kg por hectare |
|
Variação da produtividade |
-0,8% |
Principais riscos: oscilações climáticas, estresse hídrico e térmico, pragas, doenças e danos provocados por javalis e javaporcos.
Medidas preventivas: monitoramento das lavouras, planejamento do plantio, manejo fitossanitário e instalação de barreiras físicas adequadas aos riscos de cada propriedade.
Controle de javalis: deve seguir as normas dos órgãos ambientais competentes.
Fonte: análise de Bruno Nolasco, técnico em agropecuária, bacharel em Direito pela PUC Minas, pós-graduado em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral e gerente de negócios agro da Belgo Arames, com projeções da Conab e informações do Mapa.

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