O Brasil está produzindo bovinos mais jovens para o abate ao mesmo tempo em que aumenta a quantidade de carne obtida por área. Para a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), os dois movimentos ajudam a mostrar como genética, nutrição, sanidade, manejo e gestão vêm alterando a pecuária brasileira.
Em artigo assinado pelo presidente da entidade, Victor Paulo Silva Miranda, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são utilizados para dimensionar uma dessas mudanças.
Segundo os números apresentados pelo dirigente, o país abateu 42,94 milhões de bovinos em 2025, crescimento de 8,2% sobre o ano anterior e maior resultado da série histórica. Desse total, 8,4 milhões tinham até dois anos, o equivalente a aproximadamente 19,6% dos animais abatidos.
A redução da idade de abate é considerada um dos indicadores de eficiência na pecuária porque diminui o período de permanência do animal no sistema produtivo e pode permitir maior giro do capital investido.
Mais de 70% chegam ao frigorífico com até dois anos
No Circuito Nelore de Qualidade, iniciativa da ACNB que avalia animais no momento do abate, a proporção de bovinos jovens é ainda maior.
Segundo Miranda, mais de 70% dos animais avaliados pelo programa chegam ao frigorífico com até dois anos de idade.
A precocidade, porém, é apenas uma parte da equação.
Na avaliação do presidente da associação, eficiência precisa considerar simultaneamente quanto peso o animal ganhou, quanto consumiu, por quanto tempo permaneceu na propriedade e qual resultado apresentou no frigorífico.
Isso envolve indicadores como quilos de carne produzidos por hectare, número de bezerros desmamados por matriz, dias necessários para chegar ao abate, conversão alimentar e características da carcaça.
Produtividade teria crescido 183% em três décadas
Outro dado apresentado no artigo vem do Beef Report 2026, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
De acordo com a publicação citada pelo presidente da ACNB, a produtividade da pecuária brasileira cresceu 183% nos últimos 30 anos, enquanto a área destinada a pastagens recuou 18%, chegando a aproximadamente 160 milhões de hectares.
Para Miranda, a combinação dos dois indicadores demonstra o impacto da incorporação de genética, tecnologias de nutrição e sanidade e melhorias na gestão das propriedades.
O próprio dirigente, entretanto, chama a atenção para as diferenças existentes dentro da pecuária brasileira.
Há propriedades que monitoram indicadores zootécnicos e econômicos para orientar decisões, enquanto outras ainda trabalham com menor nível de controle dos dados produtivos.
Tecnologia ajuda a escolher animais mais eficientes
O avanço das ferramentas de avaliação permite acompanhar com maior precisão características como consumo de alimento e ganho de peso.
Essas informações podem ser utilizadas, por exemplo, para identificar animais capazes de apresentar bom desempenho produtivo utilizando melhor os recursos disponíveis.
Miranda argumenta que o uso de dados não substitui a experiência do pecuarista, mas acrescenta informações ao processo de tomada de decisão.
O melhoramento genético aparece como outro componente dessa transformação.
Para a ACNB, a seleção contínua do Nelore ganha importância pela dimensão da raça na pecuária nacional. Segundo os dados apresentados pela entidade, mais de 80% do rebanho brasileiro tem influência da raça, que também estaria relacionada à maior parte da carne bovina produzida no país.
Genética, manejo e gestão
Ao analisar a evolução do setor, Miranda defende que não existe um único fator responsável pelo aumento da eficiência.
O resultado é associado à combinação de genética, reprodução, sanidade, nutrição, manejo, pastagens, qualidade de carcaça, utilização da terra e gestão.
O desafio, segundo o presidente da ACNB, passa agora também por comunicar essas mudanças para fora das propriedades rurais.
Para o produtor, entretanto, a discussão continua bastante objetiva: produzir mais carne utilizando melhor terra, alimento, tempo e capital.
É justamente nessa conta que a idade de abate, a produtividade por hectare e o desempenho dos animais passaram a ocupar um espaço cada vez maior na pecuária brasileira.
O que você precisa saber
Abates bovinos em 2025: 42,94 milhões, segundo dados do IBGE citados pela ACNB
Crescimento informado: 8,2% sobre o ano anterior
Animais com até dois anos: 8,4 milhões, aproximadamente 19,6% do total
Circuito Nelore de Qualidade: mais de 70% dos animais avaliados chegam ao abate com até dois anos
Produtividade: crescimento de 183% nos últimos 30 anos, segundo o Beef Report 2026 citado no artigo
Pastagens: redução de 18% no mesmo período, para aproximadamente 160 milhões de hectares
Fatores associados à eficiência: genética, reprodução, nutrição, sanidade, manejo, pastagens, qualidade de carcaça e gestão
Fonte das análises: artigo de Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil

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