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Espírito Santo lidera crescimento industrial do Brasil, com alta de 17,7%

Produção capixaba registrou o maior avanço entre os 18 locais pesquisados pelo IBGE de janeiro a agosto de 2026; petróleo, gás natural e minério de ferro impulsionaram o resultado.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Espírito Santo lidera crescimento industrial do Brasil, com alta de 17,7%
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ESPÍRITO SANTO — A indústria capixaba registrou o maior crescimento do Brasil nos oito primeiros meses de 2026, com alta de 17,7% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho colocou o Espírito Santo na liderança entre os 18 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), superando a média nacional de 0,8%.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada em 8 de outubro e analisada pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES).

O resultado foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, que avançou 26,5% no período, acompanhada pelo crescimento de 4% da indústria de transformação.

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No ranking nacional, Pernambuco aparece na segunda posição, com alta de 13,9%, seguido por Mato Grosso do Sul, com 7,1%.

Espírito Santo lidera ranking nacional

Crescimento da produção industrial de janeiro a agosto de 2026

Variação percentual em relação ao mesmo período de 2025. Fonte: IBGE/PIM-PF, compilação do Observatório FINDES.

Chart

Para o presidente da FINDES, Paulo Baraona, os números mostram a importância de ampliar os investimentos e distribuir os efeitos do crescimento por diferentes atividades econômicas.

“Liderar o crescimento industrial do país é um resultado importante para o Espírito Santo e demonstra a força de setores estratégicos da nossa economia. O desafio agora é ampliar esses resultados, atrair novos investimentos e fazer com que esse crescimento se espalhe por todo o setor produtivo”, afirma.

Baraona também destaca a importância da indústria de transformação para agregar valor à produção, diversificar a economia e gerar empregos qualificados.

Petróleo e gás natural puxam crescimento

A indústria extrativa foi a principal responsável pelo desempenho capixaba, com expansão de 26,5% entre janeiro e agosto.

O avanço está relacionado ao aumento da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção média de petróleo no Espírito Santo alcançou 252,9 mil barris por dia, crescimento de 40,4% em relação aos oito primeiros meses de 2025.

A produção média de gás natural chegou a 7,2 milhões de metros cúbicos por dia, alta de 57,6%.

A produção de petróleo em campos marítimos (offshore) cresceu 58,2%, impulsionada pelo campo de Jubarte e pela operação do FPSO Maria Quitéria.

De acordo com a economista-chefe da FINDES, Marília Silva, o FPSO Maria Quitéria produziu, em média, 68,6 mil barris de petróleo por dia, o equivalente a 68,6% de sua capacidade instalada.

O campo de Wahoo, operado pela PRIO, também contribuiu para o resultado, com produção média de 29,8 mil barris diários entre março e agosto.

Já a produção terrestre (onshore) apresentou crescimento de 11,1% no acumulado do ano.

Indústria de transformação cresce 4%

Além do setor extrativo, a indústria de transformação capixaba apresentou crescimento de 4% de janeiro a agosto de 2026.

Entre os segmentos com resultados positivos estão a metalurgia, com alta de 2%, e a fabricação de produtos de minerais não metálicos, com avanço de 1,6%.

O desempenho da metalurgia foi acompanhado pelo aumento das exportações de produtos siderúrgicos.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as vendas externas do segmento alcançaram US$ 1 bilhão nos oito primeiros meses do ano, crescimento de 21,6% em relação ao mesmo período de 2025.

De acordo com o Observatório FINDES, parte desse avanço está associada ao redirecionamento das exportações para países europeus, como França, Alemanha, Polônia, Espanha, Holanda e Itália.

Alimentos e celulose registram queda

Apesar do crescimento geral da indústria capixaba, nem todos os segmentos apresentaram resultados positivos.

A fabricação de produtos alimentícios recuou 2,9%, enquanto a produção de celulose, papel e produtos de papel caiu 5,7% no acumulado até agosto.

Segundo Marília Silva, o desempenho da cadeia de celulose está relacionado à redução da demanda chinesa, aos custos logísticos e às incertezas do cenário econômico internacional.

Outros fatores também influenciaram a atividade.

Em agosto de 2025, a Suzano anunciou uma redução de 3,5% na produção de celulose para os 12 meses seguintes. Além disso, a companhia realizou uma parada programada na Linha C de sua unidade industrial em Aracruz, no terceiro trimestre de 2026.

A linha possui capacidade anual de 920 mil toneladas, sendo a maior das três unidades de produção da fábrica.

“Esse conjunto de fatores representa desafios para o segmento de celulose e ajuda a contextualizar o resultado observado no período”, explica a economista.

Crescimento industrial abre perspectivas para a economia capixaba

O desempenho de janeiro a agosto evidencia a importância dos setores extrativo e de transformação para a atividade industrial do Espírito Santo.

Embora petróleo e gás natural tenham concentrado os maiores avanços, o crescimento da metalurgia e das exportações siderúrgicas também contribuiu para o resultado estadual.

Para a FINDES, o desafio será ampliar os investimentos, fortalecer a competitividade e criar condições para que outros segmentos industriais acompanhem essa expansão.

Os números da PIM-PF medem a variação do volume físico produzido pela indústria. Portanto, a alta de 17,7% não corresponde diretamente ao crescimento do faturamento, dos lucros ou do emprego industrial.

O que você precisa saber

  • Crescimento industrial do ES: 17,7% de janeiro a agosto de 2026.

  • Média brasileira: 0,8%.

  • Posição no ranking: 1º lugar entre os 18 locais pesquisados pelo IBGE.

  • Indústria extrativa: crescimento de 26,5%.

  • Indústria de transformação: crescimento de 4%.

  • Produção média de petróleo: 252,9 mil barris por dia, alta de 40,4%.

  • Produção média de gás natural: 7,2 milhões de m³ por dia, alta de 57,6%.

  • Exportações siderúrgicas: US$ 1 bilhão, crescimento de 21,6%.

  • Segmentos em queda: produtos alimentícios (-2,9%) e celulose, papel e derivados (-5,7%).

Fonte: Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE, com análise do Observatório FINDES e dados complementares da ANP e do MDIC.

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