O setor de petróleo e gás no Espírito Santo ganhou uma nova perspectiva de investimentos. A empresa brasileira Prio arrematou dois blocos do pré-sal na porção capixaba da Bacia de Campos, durante leilão realizado nesta quarta-feira (7), pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no Rio de Janeiro.
As áreas, chamadas Magnetita e Hematita, possuem compromissos mínimos de investimento na fase de exploração que, somados, chegam a aproximadamente R$ 245,6 milhões.
A aquisição ocorreu durante o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, que colocou 13 blocos do pré-sal à disposição de empresas interessadas em desenvolver atividades de exploração.
Uma terceira área relacionada à porção capixaba, denominada Turmalina, também foi ofertada, mas não recebeu propostas.
Apesar do resultado, a exploração de petróleo não começará imediatamente. As empresas vencedoras ainda precisam cumprir exigências regulatórias e formalizar os contratos, cuja assinatura está prevista para ocorrer até 26 de fevereiro de 2027.
Conheça Magnetita e Hematita, os blocos arrematados pela Prio
Os dois blocos adquiridos pela Prio estão oficialmente classificados pela ANP como pertencentes à Bacia de Campos, que abrange áreas marítimas próximas aos litorais do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.
A Prio apresentou as únicas ofertas por Magnetita e Hematita, garantindo a aquisição dos direitos sobre os dois blocos nas condições estabelecidas pelo leilão.
A operação ficará sob responsabilidade da Prio Forte S.A., que terá 100% de participação e será a operadora das duas áreas.
Quanto a empresa ofereceu à União?
No regime de partilha de produção, as empresas participantes apresentam propostas indicando qual percentual do óleo excedente será destinado à União.
Esse óleo excedente corresponde à parcela da produção que resta após a dedução dos custos previstos no modelo contratual.
No caso de Magnetita, a Prio ofereceu 32,80% do óleo excedente, percentual 132,79% superior ao mínimo exigido para a área.
Em Hematita, a oferta foi de 7,18% do óleo excedente, representando ágio de 315,03% em relação ao percentual mínimo estabelecido.
Esses percentuais foram os critérios econômicos utilizados para a disputa das áreas.
Como os dois blocos receberam apenas uma proposta cada, não houve concorrência direta entre diferentes empresas por Magnetita ou Hematita.
Investimentos previstos superam R$ 245 milhões
Um dos principais pontos do resultado é o volume de recursos previsto para a fase inicial de exploração.
Segundo os parâmetros estabelecidos pela ANP, os compromissos mínimos de investimento são de aproximadamente R$ 122,8 milhões para cada um dos blocos.
Com isso, os investimentos mínimos vinculados às duas áreas arrematadas pela Prio somam cerca de R$ 245,6 milhões.
Além desses compromissos, a empresa deverá pagar os bônus de assinatura definidos previamente no edital.
Os valores são:
-
Magnetita: aproximadamente R$ 93,3 milhões de bônus de assinatura.
-
Hematita: cerca de R$ 1,58 milhão de bônus de assinatura.
Somados, os bônus das duas áreas representam aproximadamente R$ 94,9 milhões.
É importante diferenciar os valores: os investimentos mínimos estão relacionados às atividades previstas para a fase de exploração, enquanto os bônus de assinatura correspondem aos pagamentos exigidos para a formalização dos contratos.
Terceira área na porção capixaba não recebeu propostas
Além de Magnetita e Hematita, o bloco Turmalina também foi incluído no leilão.
A área possui 1.437,80 quilômetros quadrados e tinha investimento mínimo previsto de aproximadamente R$ 110,3 milhões.
Entretanto, nenhuma empresa apresentou proposta pelo bloco nesta rodada.
Caso as três áreas tivessem sido arrematadas, os compromissos mínimos previstos somariam aproximadamente R$ 356 milhões.
Com a ausência de interessados em Turmalina, o montante efetivamente associado às duas áreas adquiridas pela Prio ficou em R$ 245,6 milhões.
Leilão nacional movimentou R$ 530 milhões em bônus
O resultado da porção capixaba integra uma rodada mais ampla de oferta de áreas do pré-sal brasileiro.
Ao todo, 13 blocos foram colocados em leilão e sete receberam propostas.
Na Bacia de Campos, foram arrematados Magnetita, Hematita e Azurita. Outros dois blocos ofertados nessa bacia, Turmalina e Larimar, ficaram sem interessados.
Na Bacia de Santos, foram negociados Jade, Cruzeiro do Sul, Rubi e Rodocrosita.
Segundo a ANP, o resultado do 4º Ciclo representa o maior número de blocos arrematados em uma rodada de Oferta Permanente de Partilha até então. Em 2025, o ciclo anterior havia terminado com cinco áreas negociadas.
Os números gerais do leilão foram:
-
13 blocos colocados em oferta.
-
7 blocos arrematados.
-
R$ 530,4 milhões em bônus de assinatura.
-
R$ 778,4 milhões em investimentos mínimos previstos para a fase exploratória.
-
19 empresas habilitadas para participar.
-
6 empresas que efetivamente apresentaram propostas.
Entre as companhias brasileiras, Petrobras e Prio adquiriram dois blocos cada.
O que o resultado pode representar para o Espírito Santo?
A aquisição de áreas na porção capixaba da Bacia de Campos coloca novos projetos de exploração no horizonte do setor de petróleo e gás associado ao Espírito Santo.
Os compromissos financeiros previstos indicam a intenção de desenvolver atividades exploratórias, mas ainda não permitem afirmar que haverá descoberta comercial de petróleo, instalação de novas plataformas ou geração de determinado número de empregos.
Esses possíveis desdobramentos dependem dos resultados das pesquisas, das decisões de investimento das empresas e das autorizações exigidas para cada etapa.
O resultado do leilão também não significa que a produção começará imediatamente.
A fase exploratória tem justamente a finalidade de avaliar o potencial das áreas e verificar a existência de recursos que possam ser desenvolvidos comercialmente.
Quando começa a exploração de petróleo?
Após o leilão, as empresas vencedoras precisam apresentar a documentação exigida pela ANP e realizar o pagamento dos bônus de assinatura.
Somente depois do cumprimento dessas etapas poderão ser formalizados os contratos de partilha de produção.
O cronograma da agência prevê que a assinatura dos contratos do 4º Ciclo ocorra até 26 de fevereiro de 2027.
A partir da formalização, os projetos deverão seguir as etapas regulatórias e ambientais aplicáveis.
Portanto, ainda não existe, nas informações divulgadas, uma data definida para o início de perfurações ou eventual produção de petróleo nos blocos Magnetita e Hematita.
O avanço dessas atividades dependerá dos estudos e procedimentos previstos para a exploração das áreas.
Como funciona a Oferta Permanente de Partilha?
A Oferta Permanente de Partilha é um mecanismo utilizado pela ANP para licitar blocos localizados no Polígono do Pré-Sal e em outras áreas consideradas estratégicas.
Nesse modelo, as empresas disputam os direitos de exploração oferecendo à União uma parcela da produção excedente de petróleo e gás.
Antes de integrarem os editais, as áreas passam por procedimentos que incluem estudos técnicos, autorizações do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e avaliações relacionadas à viabilidade ambiental.
Magnetita e Hematita foram autorizadas a integrar a oferta por resolução do CNPE publicada em 2025.
Já Turmalina havia recebido autorização anteriormente, por meio de resolução de 2022.
Com os resultados anunciados nesta quarta-feira (7), o próximo passo será a conclusão das exigências necessárias à contratação das áreas arrematadas.
O que você precisa saber
-
Leilão: 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção.
-
Data: quarta-feira, 7 de outubro de 2026.
-
Órgão responsável: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
-
Empresa vencedora: Prio, por meio da Prio Forte S.A.
-
Blocos arrematados: Magnetita e Hematita.
-
Localização: porção capixaba da Bacia de Campos.
-
Área de Magnetita: 2.010,81 km².
-
Área de Hematita: 1.652,80 km².
-
Investimentos mínimos previstos: aproximadamente R$ 245,6 milhões nos dois blocos.
-
Bônus de assinatura: cerca de R$ 94,9 milhões somados.
-
Participação da Prio: 100% em cada bloco.
-
Terceira área: Turmalina foi ofertada, mas não recebeu propostas.
-
Resultado nacional: sete blocos arrematados, com R$ 530,4 milhões em bônus de assinatura.
-
Assinatura dos contratos: prevista até 26 de fevereiro de 2027.
-
Início da exploração: ainda depende de etapas contratuais, regulatórias e ambientais.
-
Produção de petróleo: não há confirmação de descoberta comercial nem prazo divulgado para início da produção nas áreas.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se