BRASÍLIA (DF) — O Senado Federal aprovou, na quarta-feira (14), uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, segundo comunicado divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
De acordo com o texto governamental, a proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário nos dois turnos de votação no Senado, após aprovação na Câmara dos Deputados. A próxima etapa informada é a promulgação pelo Congresso Nacional.
A mudança prevê pelo menos dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução dos salários. Entretanto, as novas regras não entram em vigor imediatamente com a aprovação parlamentar.
O levantamento apresentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estima que aproximadamente 14,9 milhões de trabalhadores brasileiros estejam submetidos à escala 6x1, caracterizada por seis dias de trabalho para um de descanso.
O que muda para os trabalhadores
A proposta estabelece a escala 5x2 como referência, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. A redução da carga horária será gradual, para permitir a adaptação de empresas e empregadores.
Cronograma previsto na PEC
Situação atual
44 horas
Limite semanal
Após 2 meses
42 horas
Com duas folgas
Após 14 meses
40 horas
Limite definitivo
Os prazos são contados a partir da publicação da emenda constitucional, ainda pendente de promulgação. Senado Notícias+1
O texto mantém a proteção salarial e permite a organização de determinadas jornadas por meio de acordos e convenções coletivas, respeitados os limites constitucionais.
Escalas especiais, como a de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, poderão continuar mediante as condições previstas na legislação e na negociação coletiva.
Quase 15 milhões trabalham na escala 6x1
Segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego citado pelo Governo Federal, aproximadamente 14,9 milhões de trabalhadores cumprem atualmente a escala de seis dias de trabalho para um de descanso.
O Sudeste concentra o maior contingente, com cerca de 7 milhões de pessoas. Comércio, serviços, indústria e logística estão entre os setores que poderão precisar reorganizar suas jornadas.
A mudança também alcança trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas semanais, mesmo quando não estão submetidos à escala 6x1.
Debate envolve qualidade de vida e custos para empresas
O Governo Federal defende que a redução da jornada permitirá mais tempo para descanso, convivência familiar, estudos e atividades pessoais.
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mencionado no comunicado, aponta maior concentração de jornadas de 44 horas entre trabalhadores de menor renda e escolaridade.
Por outro lado, representantes empresariais manifestaram preocupação com o aumento dos custos trabalhistas, possíveis impactos nos preços e a necessidade de reorganização das equipes, especialmente em atividades que funcionam todos os dias.
www1.folha.uol.com.br+1
A proposta prevê a possibilidade de regras de transição específicas para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, condicionadas à preservação dos empregos.
PEC segue para promulgação
A aprovação ocorreu em dois turnos no Senado, com 75 votos favoráveis e um contrário, conforme os registros oficiais da Casa. Como o texto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, não precisará passar por uma nova votação dos deputados.
Senado Federal+1
A proposta é a PEC 221/2019. Por se tratar de uma emenda constitucional, não depende de sanção presidencial. A promulgação será realizada pelo Congresso Nacional.
TV Senado+1
O que você precisa saber
-
O que foi aprovado: fim da escala 6x1 e redução gradual da jornada máxima para 40 horas semanais.
-
Votação no Senado: 75 votos favoráveis e um contrário, em 14 de outubro de 2026.
-
Folgas: dois dias de descanso remunerado por semana.
-
Salários: redução salarial proibida.
-
Primeira etapa: limite de 42 horas semanais, dois meses após a publicação da emenda.
-
Segunda etapa: limite de 40 horas semanais, 14 meses após a publicação.
-
Próximo passo: promulgação pelo Congresso Nacional.
Atenção: até a publicação da emenda constitucional e o início dos prazos de transição, as regras atuais de jornada continuam aplicáveis.
Fontes: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Senado Federal e Agência Brasil.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se