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Economia

Adeva estreia com capacitação lotada e aposta em fortalecer o comércio de Vargem Alta

Primeiro evento oficial da associação, realizado nesta quarta-feira (4), superou a expectativa de inscrições e reuniu empresários para discutir vitrines, atendimento, comportamento do consumidor e estratégias para aumentar as vendas.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Adeva estreia com capacitação lotada e aposta em fortalecer o comércio de Vargem Alta
Foto: Cláudio Pazetto
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VARGEM ALTA (ES) — Uma pessoa passa diante de uma loja. Olha a vitrine. Diminui o passo. Para por alguns segundos. Nesse intervalo aparentemente simples começa uma disputa cada vez mais importante para o comércio físico: transformar atenção em entrada na loja — e entrada em venda.

Foi em torno desse desafio que comerciantes e empreendedores de Vargem Alta se reuniram na noite desta quarta-feira (4), durante a capacitação “Faça vitrines para atrair clientes e vender mais”.

O encontro marcou o primeiro evento oficial da Adeva — Associação de Desenvolvimento Econômico de Vargem Alta e começou com um resultado que surpreendeu a própria organização: a procura foi maior do que a prevista e as inscrições tiveram de ser encerradas.

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“Muito feliz que superou todas as nossas expectativas. Tivemos que encerrar as inscrições”, afirmou a presidente da Adeva, Ana Deise Copetti, ao receber os participantes.

Mais do que ensinar a decorar uma vitrine para o Natal, porém, a noite colocou em discussão questões que fazem parte da rotina de qualquer pequeno negócio: quem é o meu cliente? O que ele procura? Como chamar sua atenção? O atendimento está preparado? E, principalmente, estou vendendo aquilo que o consumidor realmente quer comprar?

Antes da aula, uma compra

A consultora Karlla Coutinho, responsável pela capacitação, chegou a Vargem Alta e, antes mesmo do início da atividade, viveu uma experiência que acabaria se transformando em exemplo para a própria turma.

Um estabelecimento chamou sua atenção visualmente. Ela entrou apenas para olhar.

Saiu de lá com uma compra.

“Eu entrei para olhar. Eu olhei, comprei. Não comprei mais porque não era o momento, eu precisava sair. Mas fiquei com vontade de comprar mais”, contou.

Para Karlla, o que aconteceu depois de entrar foi tão importante quanto aquilo que a levou até a loja.

Ela elogiou publicamente a vendedora Eliane, destacando a forma como foi recebida e a capacidade da profissional de apresentar os produtos.

O episódio ajudou a introduzir uma das ideias centrais da noite: uma boa vitrine pode colocar o consumidor dentro da loja, mas é o conjunto da experiência que aumenta as chances de a venda acontecer.

“Não adianta eu ter a loja mais linda, os produtos perfeitos, se eu não souber vender”, resumiu.

A internet mudou o jogo

O comportamento de compra mudou — e o comércio físico precisa acompanhar essa transformação.

Karlla lembrou que, anos atrás, procurar uma roupa, um eletrodoméstico ou outro produto significava, quase obrigatoriamente, circular pelas áreas comerciais, observar vitrines, entrar em diferentes estabelecimentos e comparar pessoalmente as opções.

Hoje, parte desse percurso cabe na tela de um celular.

Na avaliação apresentada durante a capacitação, a expansão do comércio eletrônico aumentou a necessidade de as lojas físicas oferecerem motivos para que o consumidor continue comprando localmente.

“Quanto mais nós estivermos preparados, mais nós vamos atrair pessoas para consumir o que a gente vende”, afirmou.

Nesse cenário, preço e produto continuam importantes, mas dividem espaço com outros fatores: vitrine, atendimento, ambiente, relacionamento e experiência de compra.

Para a consultora, fortalecer essas competências também significa trabalhar para manter uma parcela maior do consumo dentro do próprio município.

Vitrine bonita não basta

Uma das frases mais diretas da noite resumiu o conceito trabalhado com os participantes:

“Não adianta fazer uma vitrine perfeita que não vende. A finalidade da vitrine, no final das contas, é vender.”

Karlla explicou que vitrinismo não é simplesmente decoração. Trata-se de organizar produtos e elementos visuais de forma intencional, considerando o que está sendo vendido e, sobretudo, para quem.

A vitrine precisa apresentar o produto, chamar atenção e despertar interesse.

Isso significa que nem sempre colocar mais produtos significa vender mais.

Segundo a consultora, determinados negócios voltados a um público mais popular podem trabalhar com maior densidade de produtos e ofertas. Já estabelecimentos posicionados em segmentos de maior valor agregado podem optar por menos peças e mais espaço entre os elementos.

A lógica é simples: a vitrine precisa conversar com o cliente que a empresa pretende alcançar.

“Eu preciso entender o que é atrativo para o meu público, o que gera desejo”, explicou.

Quem é o seu cliente?

Essa pergunta levou a capacitação para além das vitrines.

Karlla provocou os empresários a identificarem com maior precisão quem compra de suas empresas.

Uma loja de moda feminina, por exemplo, não vende necessariamente para “todas as mulheres”. Pode ter maior identificação com consumidoras jovens, determinado poder aquisitivo, estilo específico ou outro nicho.

Entender essa diferença interfere na escolha do estoque, na comunicação, na exposição dos produtos e na abordagem comercial.

A consultora também chamou atenção para um erro frequente entre empreendedores: confundir o próprio gosto com a demanda do mercado.

Para explicar, apresentou uma situação hipotética. Uma pessoa gosta muito de ler e percebe que não existe uma livraria em Vargem Alta. Isso, isoladamente, seria suficiente para abrir uma?

Não.

Antes seria necessário descobrir se existe público, qual seria a demanda, quanto essas pessoas estariam dispostas a consumir e onde atualmente fazem essas compras.

“Não é somente sobre o que eu vendo. É sobre o que o público compra”, afirmou.

E completou:

“Nós precisamos vender o que as pessoas querem comprar, não necessariamente o que é do meu gosto.”

Menos bagunça, mais intenção

Na hora de montar a vitrine, outra orientação foi objetiva: clareza.

“Quanto mais objetiva, bem distribuída, menos embolada, melhor”, disse Karlla.

A composição precisa permitir que quem passa pelo estabelecimento consiga compreender rapidamente o que está sendo apresentado.

Criatividade também entrou na discussão.

Ao mostrar exemplos aos participantes, a consultora apresentou vitrines que utilizam elementos inesperados para interromper o olhar de quem passa — entre eles, a composição de uma loja de alto padrão com poucas peças e um manequim colocado de cabeça para baixo.

A intenção, explicou, é gerar curiosidade.

Mas conseguir que alguém pare diante da vitrine ainda é apenas o primeiro passo.

A vitrine chamou. E agora?

É nesse momento que entra o vendedor.

Uma pessoa que reduz o passo e começa a observar os produtos já demonstrou algum nível de interesse. Uma equipe preparada pode reconhecer esse sinal, fazer uma abordagem adequada e convidá-la a conhecer melhor o estabelecimento.

“Quem tem uma equipe preparada consegue abordar essa pessoa que parou do lado de fora para dar uma olhadinha e fazer um convite para entrar”, explicou Karlla.

A venda, portanto, passa a ser entendida como uma sequência.

A vitrine chama. O consumidor para. O atendimento aproxima. O produto precisa corresponder à expectativa. E a experiência ajuda a decidir se a compra será feita.

Por isso, a consultora defendeu que exista intenção em todas essas etapas.

Da teoria para a prática

A capacitação não ficou restrita à apresentação de conceitos.

Karlla estruturou a oficina em duas etapas. Primeiro, os participantes discutiram fundamentos de vitrinismo, vendas, segmentação e comportamento do consumidor. Depois, a programação avançou para atividades práticas, permitindo trabalhar os conceitos apresentados durante a noite.

A estratégia era fazer com que os participantes não apenas observassem exemplos, mas pensassem em como adaptar as técnicas à realidade de seus próprios estabelecimentos.

A discussão também ultrapassou o Natal.

Karlla defendeu ações ao longo do ano para estimular o comércio e o consumo local.

“Nós vamos trabalhar ações, vamos trabalhar campanhas para impulsionarmos o consumo aqui dentro de Vargem Alta”, afirmou.

Para ela, a mobilização dos empresários pode representar uma mudança na maneira como o comércio local trabalha coletivamente.

“Acredito que vai ser uma virada de chave aqui em Vargem Alta.”

Adeva quer ampliar ações

A presidente Ana Deise Copetti afirmou que a proposta da Adeva é justamente criar novas iniciativas de desenvolvimento econômico e manter diálogo com empresários e outros setores do município.

“A nossa ideia é impulsionar o desenvolvimento regional, não só do comércio, mas do turismo e de todas as outras áreas”, afirmou.

A entidade também abriu espaço para que os participantes apresentem sugestões, dificuldades e demandas que possam orientar novas ações.

O primeiro encontro, portanto, começou falando de vitrines, mas colocou sobre a mesa uma discussão maior: como preparar o pequeno comércio para conhecer melhor o consumidor, competir por sua atenção e fazer o dinheiro circular dentro do próprio município.

O que você precisa saber

Evento: capacitação “Faça vitrines para atrair clientes e vender mais”
Data: quarta-feira (4)
Local: Vargem Alta
Realização: Adeva — Associação de Desenvolvimento Econômico de Vargem Alta
Presidente: Ana Deise Copetti
Consultora: Karlla Coutinho
Temas: vitrinismo, atendimento, vendas, comportamento do consumidor, segmentação de público e tendências de mercado
Destaque: primeiro evento oficial da Adeva teve procura acima da expectativa e inscrições encerradas
Proposta: desenvolver novas ações para fortalecer o comércio, o turismo e outros setores da economia de Vargem Alta

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