BELO HORIZONTE (MG) — Belo Horizonte volta a se transformar em ponto de encontro de quadrinistas, ilustradores, editoras e leitores a partir desta quarta-feira (4). A 13ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ BH) segue até domingo (8), no Minascentro, com entrada gratuita.
Considerado pela organização o principal evento do gênero na América Latina, o festival reúne convidados de 25 estados brasileiros e do Distrito Federal, oito participantes internacionais e aproximadamente 400 artistas na feira de quadrinhos. A programação inclui 21 mesas de debates, 20 oficinas livres, 12 masterclasses, três exposições, sessões de cinema e rodadas de negócios.
Um dos destaques será o lançamento nacional da adaptação de “Torto Arado” para os quadrinhos, além de encontros sobre criação de personagens, infância, questões socioambientais, biografias e formação de leitores.
“Torto Arado” chega aos quadrinhos
O romance de Itamar Vieira Junior, vencedor dos prêmios Jabuti e Oceanos, ganhará uma versão em HQ apresentada pela primeira vez nacionalmente durante o FIQ BH.
A adaptação será discutida na sexta-feira (6), na mesa “Adaptando sucessos para quadrinhos: quando a história muda de linguagem”.
Participam Bennê Oliveira e Rafael Calça, responsáveis pela adaptação de “Torto Arado”, além de Thobias Daneluz e Ian SBF, diretor e roteirista que está entre os criadores do Porta dos Fundos.
Também na sexta-feira, o público poderá acompanhar a mesa “Arquitetando mundos: o exercício da imaginação e a criação nos quadrinhos”.
O encontro terá Bilquis Evely, cocriadora de “Supergirl: Mulher do Amanhã” e vencedora do prêmio Eisner; Vitor Cafaggi; e o espanhol Borja González.
Meio ambiente vira história em quadrinhos
A relação entre quadrinhos e questões socioambientais também entra na programação.
No sábado (7), a mesa “Direito da terra: HQs e as questões socioambientais” reunirá trabalhos que abordam diferentes conflitos e relações entre sociedade, território e natureza.
Participam João Marcos Mendonça, autor de “Doce Amargo”, sobre o rompimento da barragem de Mariana; a artista francesa Clara Chotil, autora de “Tekoha”, que aborda a relação entre povos indígenas e seus territórios em Mato Grosso do Sul; e Alves, autor de “Cerrado em quadrinhos”.
Outro debate no sábado discutirá a reinvenção dos heróis. Entre os convidados estão Lucas Werneck, Hugo Canuto e o italiano Lorenzo de Felici, ilustrador e colorista de “Oblivion Song”.
Quadrinhos para crianças
As crianças também aparecem como tema da programação.
Na quinta-feira (5), a mesa “HQ também é coisa de criança: publicações sobre e para as infâncias” discutirá novas propostas editoriais voltadas ao público infantil.
Participam Phellip Willian, Melissa Garabeli, Ray Cardoso e Felipe Nunes, com mediação de Nami Vianna.
A formação de novos leitores será abordada ainda em uma discussão sobre o papel das gibitecas e bibliotecas, marcada para quarta-feira (4), às 19h.
Festival terá exposições e cinema
O FIQ BH também ultrapassa as páginas dos gibis.
A programação inclui uma mostra de cinema gratuita no Minascentro, com produções relacionadas aos quadrinhos e à animação. Entre os títulos confirmados está “Cosmo, o Cosmonauta”, baseado na HQ de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho.
Três exposições integram a programação.
Uma delas é dedicada ao ilustrador e quadrinista Lelis, com aquarelas, aguadas, séries ilustradas, desenhos inéditos, projetos, esboços e etapas do processo criativo.
Outra recupera a trajetória da pesquisadora Sonia Luyten, reunindo fotografias, reportagens, recortes de revistas e documentos relacionados à história dos quadrinhos no Brasil.
A terceira, “Anfang/Ausgang”, realizada em parceria com o Goethe-Institut, parte da obra de Rapha Pinheiro sobre jovens brasileiros que viajam à Alemanha para iniciar uma nova vida como enfermeiros.
32 oficinas e atividades de formação
O festival terá 20 oficinas livres e gratuitas, destinadas a diferentes idades. O agendamento deve ser feito presencialmente duas horas antes de cada atividade.
Também serão oferecidas 12 masterclasses gratuitas, estas com inscrição prévia, destinadas principalmente a artistas e profissionais da área.
Nos dias 5 e 6, uma rodada de negócios aproximará artistas de 13 editoras, permitindo que profissionais previamente selecionados apresentem seus projetos diretamente às empresas participantes.
Festival recebeu 45 mil pessoas em 2024
A história do evento começou em 1997, quando Belo Horizonte recebeu a primeira Bienal de Quadrinhos. A partir de 1999, a iniciativa passou a se chamar Festival Internacional de Quadrinhos.
A edição de 2024 recebeu mais de 45 mil pessoas, segundo a organização.
Em 2026, além dos convidados e atividades formativas, o FIQ BH terá 277 mesas de artistas, 17 estandes, oito duelos de ilustração e quatro sessões de filmes.
O que você precisa saber
Evento: 13º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ BH)
Quando: de 4 a 8 de novembro
Onde: Minascentro, Rua Guajajaras, 1.022, Belo Horizonte
Entrada: gratuita
Quarta a sexta: das 8h às 20h
Sábado: das 9h às 21h
Domingo: das 9h às 19h
Classificação: livre
Programação: debates, feira de quadrinhos, exposições, cinema, oficinas, masterclasses, duelos de HQ e rodada de negócios
Números: cerca de 400 artistas na feira, 75 convidados nacionais e oito internacionais

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se