O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo a sequência de reduções iniciada em abril. A escolha por congelar os juros básicos ocorreu por unanimidade, motivada pelas incertezas cambiais, impactos do fenômeno El Niño e tensões geopolíticas no Oriente Médio, contrariando as projeções da maioria dos analistas econômicos.
Embora parte das instituições financeiras já previsse a manutenção, o mercado esperava, em sua maioria, um novo corte de 0,25 ponto percentual. O patamar atual vinha sendo reduzido gradualmente após passar meses fixado em 15% ao ano, o nível mais elevado registrado nas últimas duas décadas.
Além dos fatores externos e climáticos, o colegiado atua de forma desfalcada. Os mandatos de Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro, e Diego Guillen, ex-diretor de Política Econômica, encerraram-se no final de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda precisa submeter os novos nomes ao Congresso Nacional.
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Inflação e o regime de meta contínua
A taxa básica de juros atua como o mecanismo central do Banco Central para reter o avanço dos preços mensurado pelo IPCA. Em outubro, a prévia do índice oficial (IPCA-15) registrou 0,32%, favorecida pelo barateamento da energia elétrica. Contudo, a taxa acumulada em 12 meses atingiu 4,62%, superando o limite superior fixado pela meta oficial.
Sob as diretrizes do sistema de meta contínua vigentes desde 2025, o centro do objetivo inflacionário é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Nessa modalidade, a verificação do cumprimento é feita mês a mês sobre o indicador acumulado em 12 meses, afastando a dependência do dado isolado de dezembro.
As estimativas da pesquisa Focus projetam que o índice inflacionário fechará o ano em 5,22%, alinhando-se à previsão de 5,2% apresentada no relatório do próprio Banco Central. Esse valor contrasta com os 3,95% previstos antes da eclosão do conflito no Oriente Médio, refletindo a deterioração do cenário global.
Impactos no crédito e atividade econômica
A postura cautelosa da autoridade monetária visa conter o excesso de consumo que pressiona os custos na economia. Quando os juros básicos permanecem elevados, o crédito torna-se mais caro e a poupança é estimulada, freando a atividade produtiva e reduzindo as expectativas de alta nos preços.
Em contrapartida, reduções na taxa de juros barateiam empréstimos e aquecem o consumo, mas exigem garantias de estabilidade inflacionária para ocorrerem. Para 2026, a projeção do PIB calculada pelos analistas do mercado financeiro recuou para 1,76%, enquanto o Banco Central estima uma expansão de 1,8% no mesmo período.
