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Justiça

Clubes de futebol alertam STF que a proibição das bets ameaça finanças

Dirigentes criticam prazo de dez dias para transição e apontam risco a contratos de patrocínio firmados sob a legislação anterior.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Clubes de futebol alertam STF que a proibição das bets ameaça finanças
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (3), representantes dos principais clubes de futebol do país afirmaram que a proibição das bets compromete receitas bilionárias de contratos firmados sob a legislação anterior.

Flamengo e Fluminense

Durante o debate, os dirigentes criticaram o curto prazo de dez dias estabelecido pelo governo para a adaptação ao novo cenário. O vice-presidente do Flamengo, Flávio Willeman, ressaltou que a medida pode retirar cerca de R$ 430 milhões anuais dos cofres do clube, estruturados com base na regulamentação vigente à época.

“O Flamengo respeita as regras jurídicas vigentes. Portanto, buscou a sua reestruturação à luz desses preceitos”, argumentou Willeman.

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O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, destacou que o veto atinge patrocínios diretos e receitas de transmissão, já que as empresas de apostas adquiriam cotas publicitárias nas emissoras. Ele enfatizou que nenhum outro país restringiu a publicidade do setor em apenas dez dias, gerando forte impacto no futebol nacional.

Botafogo e Cruzeiro

O advogado Bichara Abidão Neto, representante do Botafogo, alertou que a situação da SAF é delicada por estar em recuperação judicial. O plano aprovado contava diretamente com o fluxo financeiro proveniente do contrato de patrocínio master com uma empresa de apostas.

Já o representante do Cruzeiro, José Francisco Manssur, apontou que a vedação gera desequilíbrio competitivo com equipes sul-americanas. Segundo ele, rivais continentais, como os clubes argentinos, continuarão a exibir patrocínios do setor em suas camisas.

São Paulo e Corinthians

Pelo São Paulo, a advogada Danielle Maiolini defendeu a criação de regras de transição para contratos firmados de boa-fé. Ela ressaltou que a falta de regulamentação gera insegurança jurídica e compromete parcerias essenciais no combate à manipulação de resultados esportivos.

O advogado do Corinthians, Pedro Luís Soares, reconheceu o vício em apostas como um problema social grave, mas solicitou uma adaptação gradual. Ele argumentou que a interrupção abrupta coloca em risco o planejamento orçamentário e os compromissos financeiros já assumidos pelas equipes.

Fim das bets

A decisão do governo federal de proibir apostas esportivas e jogos virtuais visa combater o endividamento das famílias e os impactos do uso compulsivo na saúde pública. A medida incluiu o bloqueio de plataformas clandestinas em um mercado que contava com 50 milhões de usuários no Brasil.

Diante desse cenário, a Associação Nacional de Jogos e Loterias recorreu ao STF solicitando a retomada das operações e da publicidade, enquanto as agremiações tentam preservar seus acordos comerciais.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil

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