A participação feminina nos espaços de poder e a criação de redes de apoio foram os eixos centrais da conferência internacional “Mulheres que movem a justiça”, realizada recentemente em Brasília. O encontro reuniu comunicadoras, advogadas e influenciadoras para debater estratégias de combate ao machismo, à misoginia e à desinformação no cenário nacional.
Durante o evento, a presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, destacou que o trabalho em rede é uma estratégia histórica de sobrevivência. Ela relembrou o impacto do “lobby do batom” durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, que garantiu direitos fundamentais a partir de uma articulação suprapartidária entre parlamentares.
Ocupação de espaços
Pellegrino ressaltou a oportunidade de renovação no Judiciário, observando que cerca de 40% dos cargos vitalícios deverão ser nomeados na próxima década. Para a gestora, esse cenário representa uma chance real de aumentar a representatividade de mulheres em posições estratégicas, combatendo a desinformação que frequentemente mira a comunicação pública.
Conscientização jurídica
A advogada e influenciadora Sara Gabriela destacou a necessidade de enfrentar o machismo como um componente cultural profundo. Ela defende que a informação jurídica não deve ser suavizada ao tratar de violência, reforçando que o conhecimento é a principal ferramenta de mudança social para vítimas em situação de vulnerabilidade.
No mesmo sentido, a advogada Miriane Ferreira utiliza sua influência digital para desmistificar o ordenamento jurídico, focando especialmente em direitos patrimoniais. Ela alerta que muitas mulheres ainda abrem mão de bens construídos durante o casamento por desconhecerem o valor legal do trabalho doméstico e do cuidado familiar.
Desafios no sistema
A advogada Mayra Cotta trouxe uma visão crítica sobre a atuação do sistema de justiça, denunciando que, apesar do aumento nas denúncias, muitas mulheres ainda enfrentam revitimização nos tribunais. Ela pontua que a mera presença feminina não é suficiente se não houver uma mudança real na forma como o Judiciário processa casos de assédio e abuso.
Encerrando o debate, a jornalista Thayse Xavier e a cineasta Fernanda Amim enfatizaram a importância da ocupação coletiva. Enquanto Xavier estimula o engajamento político e o apoio mútuo, Amim reforça o papel da narrativa audiovisual para expor falhas estruturais, como o racismo institucional no sistema criminal.
