O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo condenou Leonardo Silva, de 21 anos, a 31 anos e seis meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo assassinato de Nilza Costa Pingoud, de 62 anos, em Barretos (SP). O crime ocorreu em julho de 2023 e ganhou repercussão pela brutalidade e pela forma como o corpo da vítima foi ocultado no quintal da própria casa.
A sentença foi proferida na segunda-feira (26) pelo juiz Luciano de Oliveira Silva e enquadrou o réu por latrocínio — roubo seguido de morte. A decisão é de primeira instância e a defesa já informou que irá recorrer.
Assassinato com ocultação de cadáver
De acordo com o processo, Leonardo matou Nilza por asfixia, utilizando um fio, após invadir a residência durante a madrugada. Em seguida, enterrou o corpo no quintal, utilizando materiais de construção para ocultar o cadáver.
O corpo da vítima só foi localizado cerca de uma semana depois, após vizinhos estranharem o desaparecimento e acionarem a polícia. Leonardo foi preso em 3 de agosto de 2023, duas semanas após a descoberta do crime.
Frieza, deboche e clamor social
Na decisão, o magistrado destacou a extrema frieza e os requintes de crueldade empregados no crime, além do impacto causado na comunidade local.
“Trata-se de delito de latrocínio praticado com extrema frieza e requintes de crueldade contra vítima idosa, seguido de ocultação de cadáver (...), condutas que geram profundo clamor social e insegurança jurídica”, registra trecho da sentença.
Durante a investigação, Leonardo chegou a zombar do crime, afirmando não estar arrependido e alegando ter agido por vingança.
Defesa alegou insanidade, mas laudos foram rejeitados
Ao longo do processo, a defesa apresentou um laudo de perícia particular sustentando a insanidade mental do réu. A Justiça, no entanto, determinou novos exames oficiais, que concluíram que Leonardo tinha plena capacidade de compreender e determinar seus atos no momento do crime.
Com isso, a tese foi descartada e a condenação mantida nos termos da acusação.
Motivação financeira e uso do dinheiro da vítima
A Polícia Civil apontou que a principal motivação do crime foi financeira. Após matar Nilza, Leonardo teria utilizado dados bancários da vítima para realizar compras, incluindo:
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aquisição de uma motocicleta;
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compra de eletrodomésticos;
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presentes entregues à própria mãe, amiga da vítima.
A Justiça determinou que todos os objetos adquiridos com o dinheiro de Nilza sejam restituídos aos familiares.
Tentativa de envolver terceiros
As investigações também revelaram que Leonardo tentou oferecer R$ 20 mil a quatro conhecidos para ajudá-lo a se livrar do corpo. Todos recusaram a proposta. Em um dos casos, o jovem teria ameaçado uma das pessoas com uma arma.
O que você precisa saber
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Condenado: Leonardo Silva, 21 anos
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Vítima: Nilza Costa Pingoud, 62 anos
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Local: Barretos (SP)
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Crime: latrocínio (roubo seguido de morte)
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Pena: 31 anos e 6 meses de prisão, em regime fechado
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Situação: decisão em primeira instância, com recurso da defesa
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Destaque do caso: ocultação do corpo no quintal e uso do dinheiro da vítima

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