FORTALEZA (CE) — Em vez de esperar uma ideia inovadora aparecer para depois descobrir onde aplicá-la, pesquisadores no Ceará testaram o caminho inverso: começar por problemas reais enfrentados dentro de projetos e transformá-los em experimentos.
A experiência foi desenvolvida pelo Instituto Atlântico e virou objeto de um estudo aprovado para o 29º SemeAd – Seminários em Administração, que será realizado de 9 a 13 de novembro, com atividades presenciais na FEA-USP, em São Paulo, e programação online.
O modelo foi colocado em prática durante um ciclo piloto realizado no segundo semestre de 2025. A experiência envolveu 19 profissionais, incluindo três lideranças, e resultou em 17 experimentos.
O trabalho buscou avaliar uma metodologia criada pelo próprio instituto para incorporar a experimentação à rotina de projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Inovação começa pelo problema
O estudo parte de uma questão recorrente em ambientes de tecnologia: como transformar problemas identificados durante a execução de um projeto em oportunidades reais de inovação?
A proposta desenvolvida pelo Atlântico procura conectar descoberta, experimentação e aprendizagem ao trabalho cotidiano das equipes.
Em vez de manter a inovação como uma atividade paralela ao projeto principal, o método busca fazer com que hipóteses sejam testadas durante a própria execução.
O objetivo é diminuir incertezas técnicas antes que uma solução receba investimentos maiores de tempo e recursos.
O piloto foi aplicado em projetos desenvolvidos para a HP, empresa que mantém relacionamento com o Instituto Atlântico há mais de duas décadas.
Nem todo experimento precisa virar produto
Um dos aspectos destacados no estudo é justamente o resultado dos testes que não chegaram a se transformar em uma solução pronta.
Parte dos experimentos foi classificada como “lições aprendidas”.
Nesse caso, a experiência serviu para identificar limitações, revisar práticas ou produzir conhecimento que pudesse ser aproveitado posteriormente.
Segundo o estudo, o laboratório interno registrou resultados relacionados à aprendizagem organizacional, qualidade de software e automação de rotinas técnicas.
Como os dados vêm de um ciclo piloto conduzido pelo próprio instituto, eles representam os resultados observados nessa experiência específica e não significam, isoladamente, que o método produzirá os mesmos efeitos em qualquer empresa ou projeto.
Da experiência prática para a pesquisa
Os resultados deram origem ao artigo “Inovação Intencional em Institutos de Ciência e Tecnologia: da prova de conceito à estruturação de um laboratório orientado a problemas reais”.
O trabalho é assinado por Francisco Apoliano de Morais Junior, Jose Samuel Montenegro Santiago, João Vianey Batista Moreira Filho, Maria Silvanira Souza Ferreira de Oliveira e Webster Rulian Lima Jorge.
Com a aprovação do artigo, o Instituto Atlântico informa ter chegado a cinco trabalhos aceitos no SemeAd por meio dessa iniciativa de transformar experiências desenvolvidas em projetos e laboratórios internos em produção acadêmica.
Experimentos podem virar negócio
Além de resolver problemas internos, o modelo abre uma discussão sobre o que acontece quando um experimento apresenta potencial para ir além do projeto que lhe deu origem.
Webster Rullian Lima Jorge, gerente de Programa do Instituto Atlântico e um dos autores do trabalho, avalia que soluções surgidas nesse processo podem se transformar em ativos aproveitados comercialmente.
“Do ponto de vista estratégico, o modelo tem potencial para consolidar uma cultura permanente de experimentação no Atlântico”, afirma.
Entre as possibilidades mencionadas pelo pesquisador está o licenciamento de soluções desenvolvidas durante as experimentações, criando eventualmente novas fontes de receita.
Essa possibilidade, entretanto, é apresentada como um potencial do modelo. O material divulgado não informa que os 17 experimentos realizados no piloto já tenham resultado em produtos licenciados ou novas receitas.
Pesquisa será discutida na USP
O estudo será apresentado durante a 29ª edição do SemeAd, evento acadêmico voltado à produção científica na área de Administração.
A programação reúne pesquisadores, estudantes e profissionais para discutir trabalhos relacionados à gestão e a diferentes áreas da Administração.
A edição de 2026 ocorre entre 9 e 13 de novembro, com atividades online e presenciais na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP).
O que você precisa saber
Pesquisa: metodologia para incorporar inovação à rotina de projetos
Instituição: Instituto Atlântico, do Ceará
Experiência piloto: segundo semestre de 2025
Participantes: 19 profissionais, incluindo três lideranças
Experimentos realizados: 17
Aplicação: projetos desenvolvidos para a HP
Proposta: transformar problemas reais em hipóteses e experimentos
Resultados relatados: aprendizagem organizacional, qualidade de software e automação de rotinas técnicas
Evento científico: 29º SemeAd
Quando: de 9 a 13 de novembro
Local das atividades presenciais: FEA-USP, em São Paulo

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