O Enem 2026 traz uma novidade histórica no atendimento aos estudantes: pela primeira vez, candidatos com histórico de crises de ansiedade ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) poderão contar com acompanhante ou cão de apoio emocional durante a realização das provas em todo o país.
Para garantir o recurso, o atendimento especializado precisava ser solicitado durante a etapa de inscrição e devidamente aprovado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelo exame.
Segundo as regras desta edição, a medida inédita contempla diversos quadros de alterações emocionais. O acompanhante designado permanecerá em uma sala reservada, sob fiscalização contínua, para atuar caso o participante necessite de acolhimento ou estabilização.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, ressaltou à Agência Brasil que a presença do apoio familiar reforça o compromisso de tornar a avaliação acessível. Ele destacou que a inclusão evolui a cada ano para acolher plenamente todos os estudantes.
A atual aplicação do exame soma 138.329 solicitações de atendimento especializado confirmadas pelo Inep. Outro avanço relevante deste ano é a inclusão formal de participantes com fibromialgia no rol de condições com direito aos recursos de acessibilidade.
Acolhimento e inclusão nos exames
Estudantes neurodivergentes destacam que a adaptação do ambiente é indispensável. Maria Clara Gonçalves, de 18 anos, diagnosticada com TDAH, explica que realizar a prova em salas reduzidas ajuda a conter distrações provocadas pelo barulho e movimentação de terceiros.
Outra participante, Isabella Magalhães, de 25 anos, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforça que a extensão do exame e o desgaste sensorial são os maiores desafios. Para ela, a flexibilização do ambiente demonstra a sensibilidade necessária do poder público.
Recomendações técnicas para a prova
A psicopedagoga e especialista em educação especial Giselle de Oliveira Araújo enfatiza que os candidatos devem reconhecer suas próprias limitações emocionais e aplicar técnicas de autorregulação pré-testadas em simulados.
Entre os exercícios sugeridos pela profissional para conter crises de ansiedade durante o teste, estão:
- apoiar firmemente os pés no chão;
- manter o contato consciente com a cadeira;
- relaxar a musculatura dos ombros;
- alongar as mãos e ajustar a postura;
- respirar de forma lenta e ritmada.
A especialista orienta fazer pequenas pausas ao perceber sinais claros de sobrecarga mental, como a leitura repetida do mesmo enunciado, evitando o desgaste desnecessário antes da conclusão das questões.
Estatísticas do atendimento especializado
De acordo com dados oficiais do Painel Enem, os diagnósticos que lideram os pedidos de apoio especializado nesta edição são:
- Déficit de atenção: 51.724 solicitações (37,39%);
- Transtorno do Espectro Autista: 34.723 solicitações (25,1%);
- Baixa visão: 9.792 solicitações (7,04%);
- Deficiência intelectual: 8.922 solicitações (6,45%).
Entre os recursos de acessibilidade mais requisitados sobressaem-se a concessão de tempo adicional (34,47%), a correção diferenciada da redação (18,74%) e o auxílio para leitura das provas (12,40%).
Para analisar os acertos e os temas abordados, a Agência Brasil exibirá no domingo, a partir das 19h30, a live "Resenha do Enem", transmitida ao vivo pelo YouTube e pelas emissoras da Rádio Nacional.
