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Educação

Racismo e renda impactam a aprendizagem infantil, revela estudo

Dados da OCDE analisados pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal mostram lacunas de até 84 pontos no desempenho entre crianças no Brasil.

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Racismo e renda impactam a aprendizagem infantil, revela estudo
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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Um levantamento da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal revelou que o racismo e a desigualdade socioeconômica afetam a aprendizagem infantil no Brasil desde os primeiros anos de vida. A análise, baseada em dados internacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta disparidades significativas no desempenho de crianças de 5 anos na pré-escola.

De acordo com o estudo, a primeira infância representa a etapa de maior desenvolvimento humano. Por isso, o contexto social, o ambiente de convivência e o acesso a direitos básicos interferem diretamente na evolução cognitiva e emocional das crianças.

A diretora de Políticas Públicas da instituição, Marina Fragata Chicaro, ressalta que características de cor ou renda não definem a capacidade de aprender. Segundo a especialista, o racismo estrutural limita o acesso a oportunidades e serviços de qualidade, comprometendo trajetórias desde cedo.

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Disparidades no desempenho por raça e cor

Os dados foram extraídos do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-Estar na Primeira Infância (IELS), conduzido pela OCDE. A pesquisa avaliou três pilares: aprendizagens fundamentais, funções executivas e habilidades socioemocionais em turmas da pré-escola.

Na área de numeracia emergente, referente a habilidades de contar e reconhecer padrões, crianças brancas alcançaram 463 pontos, enquanto crianças pretas registraram 423 pontos — uma distância de 40 pontos. Já as crianças pardas obtiveram média de 447 pontos.

O teste de memória de trabalho também expôs variações estatísticas. Nessa competência de armazenar e manipular informações, a pontuação ficou em 471 para crianças brancas, 463 para pardas e 462 para pretas.

Impacto dos fatores socioeconômicos

As diferenças tornam-se ainda mais acentuadas ao cruzar dados de raça com a renda familiar. Em numeracia, a distância atinge 84 pontos entre crianças vulneráveis (pretas, pardas ou indígenas de baixa renda, com 416 pontos) e crianças de maior renda (brancas ou amarelas de alta renda, com 500 pontos).

Nas habilidades de literacia e memória de trabalho, a variação entre esses dois grupos foi de 55 pontos. Em literacia, o grupo de alta renda somou 532 pontos contra 477 do grupo de menor renda. Em memória de trabalho, os resultados foram de 496 e 441 pontos, respectivamente.

Marina Chicaro alerta que a falta de combate a essas assimetrias na primeira infância gera um efeito cumulativo ao longo da vida escolar. Esse cenário perpetua desigualdades sociais e prejudica a construção de um país mais justo e equitativo.

A especialista enfatiza que o investimento no desenvolvimento infantil com foco étnico-racial é uma obrigação constitucional. Além de reparar divergências históricas, a medida assegura os direitos previstos na legislação brasileira.

Caminhos e políticas públicas

Para reverter esse quadro, o estudo destaca mecanismos legais vigentes, como a Política Nacional Integrada da Primeira Infância e a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola. Também cita o novo Plano Nacional de Educação para monitorar o acesso escolar.

Entre as recomendações técnicas, o relatório sugere o monitoramento de dados desagregados por raça e cor, a combinação de políticas universais e focadas em grupos vulneráveis, além do fortalecimento da formação continuada de educadores e da integração entre saúde, assistência social e educação.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Brasil

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