Com o apoio oferecido pelo pré-vestibular social do Sintuperj, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mulheres mais velhas estão retomando os estudos para fazer as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano. A iniciativa busca incluir candidatas que adiaram a formação acadêmica para se dedicar à família e ao trabalho, garantindo suporte pedagógico e psicossocial a custos acessíveis ou gratuitos.
Um dos exemplos desse recomeço é Zélia José dos Santos, de 72 anos. Após dedicar a vida aos filhos e às obrigações domésticas, a dona de casa decidiu focar em si mesma e tentar uma vaga na faculdade de serviço social. Confiante para os exames, Zélia já realizou a avaliação em edições anteriores, mas reforçou o preparo em 2026 com o auxílio das aulas comunitárias.
Segundo a administração do curso preparatório, mulheres mais velhas representam de 20% a 30% dos matriculados. O projeto do Sindicato dos Servidores da Uerj (Sintuperj), criado em 1998, cobra mensalidades de R$ 162 do público geral, mas concede descontos e bolsas integrais a estudantes em situação de vulnerabilidade social.
Além das disciplinas tradicionais, o cursinho arrecada cestas básicas em aulões mensais para auxiliar alunos e voluntários. A coordenadora pedagógica, Raíssa Tabajara, ressalta que o projeto vai além dos conteúdos exigidos na prova, oferecendo acolhimento psicossocial e oficinas voltadas ao autocuidado para fortalecer estudantes afastados da rotina escolar há anos.
Histórias de persistência e superação
Outra história de determinação é a de Paula Cristina dos Santos, de 55 anos. Mãe na adolescência, a técnica de enfermagem precisou adiar os estudos para trabalhar. Mesmo enfrentando as limitações da fibromialgia e já com pontuação suficiente para cursar fisioterapia, Paula não desiste do objetivo principal: ingressar na faculdade de medicina.
Estrutura do exame e dicas para a redação
No primeiro dia da avaliação do Enem, os candidatos respondem a 90 questões de linguagens e ciências humanas, além de elaborar a redação. A professora Érika Rodrigues destaca que a coerência e a boa fundamentação são essenciais, orientando os alunos a conectar o repertório sociocultural aos argumentos de forma clara e direta.
Durante o ano letivo no campus Maracanã, o curso abordou eixos como cidadania, meio ambiente e tecnologia. Diante dos desafios atuais, a equipe docente alertou sobre os riscos da desinformação, ensinando estratégias de interpretação de texto para que os estudantes saibam identificar conteúdos falsos durante a prova.
Fundado originalmente por servidores públicos em busca de qualificação profissional, o projeto expandiu a atuação para a comunidade externa. Ao longo de mais de duas décadas de existência, a iniciativa já contribuiu para a aprovação de mais de 2 mil alunos em universidades públicas e na própria Uerj.
