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Genética ajuda pecuária a produzir mais, mas resultado depende de quatro fatores

Melhoramento do rebanho precisa estar associado a nutrição, sanidade e manejo para ampliar produtividade e competitividade da carne brasileira, avalia diretor da Sociedade Rural Brasileira

Conexão ES Redação
Por Conexão ES Redação
Genética ajuda pecuária a produzir mais, mas resultado depende de quatro fatores
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O avanço genético do rebanho brasileiro ajudou a pecuária a produzir animais mais eficientes, mas genética sozinha não resolve a equação. Para transformar esse potencial em produtividade, o pecuarista precisa combiná-lo com nutrição, sanidade e manejo, além de acompanhar os resultados obtidos dentro da propriedade.

A avaliação é do zootecnista Beto Zillo, diretor de pecuária da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Ele discutiu os fatores que influenciaram a evolução da produção brasileira durante participação no Nelore Podcast, programa da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).

“A base de tudo é o investimento genético que tivemos nos últimos anos. Eu acredito que isso foi primordial para toda essa qualidade que temos do rebanho hoje”, afirmou.

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O debate ocorre em um cenário no qual o Brasil ocupa posição de destaque no mercado mundial de carne bovina e precisa conciliar produtividade, custos e exigências dos mercados compradores para permanecer competitivo.

Genética é o ponto de partida

O melhoramento genético permite selecionar características consideradas desejáveis para os sistemas de produção.

No caso da pecuária de corte, esse trabalho pode estar relacionado a diferentes objetivos produtivos. Mas, para Zillo, o potencial genético precisa encontrar condições adequadas para se manifestar.

É nesse ponto que entram outros componentes do sistema.

Segundo o especialista, sanidade, alimentação e manejo precisam acompanhar a evolução genética dos animais. Também é necessário medir os resultados para entender se as decisões adotadas estão efetivamente melhorando o desempenho da propriedade.

A lógica é simples: um animal com elevado potencial genético ainda depende das condições oferecidas pelo sistema produtivo.

Nelore tem papel central

Zillo também destacou a adaptação do Nelore às condições brasileiras.

A raça tem participação expressiva na pecuária de corte nacional e, segundo a ACNB, está presente em cerca de 80% do rebanho de corte brasileiro.

Essa adaptação às características ambientais do país é apontada como um dos elementos que contribuíram para a expansão da raça.

Para transformar essa característica em eficiência produtiva, porém, Zillo defende a integração dos diferentes componentes do manejo.

“É preciso aliar genética a sanidade e manejo adequados, com acompanhamento dos resultados obtidos na propriedade”, afirma.

Nutrição precisa olhar para o custo

Outro ponto destacado é a alimentação dos animais.

O desafio não está simplesmente em oferecer mais insumos, mas em buscar alternativas que contribuam para o ganho de peso sem elevar desnecessariamente o custo da produção.

Para isso, conhecer o que está disponível em cada região pode fazer diferença.

“Nós temos no Brasil inteiro, em regiões diferentes, inúmeros insumos que você pode utilizar na nutrição de menor custo, que você consegue agregar na sua produção para a melhoria contínua da produtividade, do ganho de peso”, explica Zillo.

A avaliação reforça a necessidade de analisar cada sistema individualmente. Disponibilidade de alimentos, custos, condições climáticas e objetivos produtivos variam entre regiões e propriedades.

Eficiência passa pela integração

A mensagem central é que os componentes da produção não devem ser analisados isoladamente.

O melhoramento genético define parte do potencial do animal. A nutrição fornece condições para seu desenvolvimento. A sanidade ajuda a preservar o desempenho, enquanto o manejo organiza esses fatores dentro do sistema produtivo.

Monitorar os resultados fecha esse ciclo, permitindo identificar o que funciona e onde estão os gargalos.

Para uma pecuária inserida em um mercado internacional competitivo, produzir mais também significa buscar eficiência por animal e por área, controlando custos e atendendo aos padrões exigidos pelos compradores.

A entrevista de Beto Zillo foi o nono episódio do Nelore Podcast, iniciativa da ACNB dedicada a temas como genética, produção de carne, sustentabilidade, inovação, gestão e mercado.

O que você precisa saber

Genética: é apontada pelo especialista como uma das bases da evolução do rebanho brasileiro
Nutrição: deve considerar desempenho e custo dos insumos disponíveis em cada região
Sanidade: precisa acompanhar o potencial genético dos animais
Manejo: influencia a capacidade de transformar genética em resultado produtivo
Monitoramento: permite avaliar os resultados obtidos dentro da propriedade
Nelore: representa cerca de 80% do rebanho de corte nacional, segundo a ACNB
Entrevistado: Beto Zillo, zootecnista e diretor de pecuária da Sociedade Rural Brasileira

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