Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio, a preparação para o Enem exige foco na saúde mental e no descanso dos estudantes para garantir um bom rendimento no dia da avaliação. A pressão por revisões de última hora, aliada às expectativas pessoais e familiares, pode desencadear episódios graves de estresse e ansiedade nas horas antecedentes ao teste.
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, cultivar um preparo socioemocional consistente é fundamental para evitar que a tensão pré-exame se torne paralisante durante a aplicação das provas.
Sob a perspectiva psicológica, esse desgaste ocorre porque os alunos sentem que sua capacidade intelectual está em jogo, além do peso que a nota possui na definição do futuro profissional.
A professora e psicóloga da Afya Porto Nacional, Wilma Amorim, explica que o exame representa o portal de entrada para a graduação. Esse cenário gera medo do fracasso e autocobrança, embora uma apreensão moderada seja natural.
“É bom deixar claro que o problema não é sentir ansiedade, mas quando ela se torna intensa, a ponto de prejudicar a concentração, a questão do sono, da memória, é aí que se torna um problema. Mas é benéfica essa ansiedade de friozinho na barriga”, avalia Wilma Amorim.
O que priorizar na reta final
Nas vésperas do teste, muitos jovens comprometem a rotina saudável para estudar mais tempo, negligenciando o sono e a alimentação correta. Essa conduta, no entanto, tende a prejudicar o raciocínio.
A pós-graduada em psicologia positiva e diretora do Ensina Brasil, Stephanie Zanini, desaconselha maratona de estudos nas 24 horas anteriores, defendendo momentos de lazer com amigos e familiares para relaxar a mente.
“Não vai adiantar você tentar ler todos os livros e decorar todas as fórmulas nas últimas 24 horas antes do Enem. Esse é o momento de você ir num cinema, de você conseguir relaxar, de você comer uma comidinha que você gosta, estar com quem você ama. Porque o que você tinha que aprender, você já fez nas últimas semanas, nos últimos anos”, explica Zanini.
As especialistas orientam que organizar a logística prévia — como checar o trajeto até o local de prova e separar os documentos necessários — previne picos imprevistos de estresse. Reduzir o tempo em redes sociais também previne comparações nocivas.
Apoio parental
A atitude dos pais e responsáveis é crucial para aliviar a carga emocional dos candidatos. A recomendação é manter um diálogo empático, valorizando todo o empenho demonstrado durante o ciclo de estudos.
Esse acolhimento precisa respeitar o perfil de cada estudante, seja ele mais reservado ou comunicativo. Apresentar alternativas de caminhos para os resultados e auxiliar com as tarefas práticas traz maior segurança ao jovem.
Por outro lado, frases que expressam cobrança excessiva devem ser evitadas. Segundo Wilma Amorim, declarações que pressionam pelo resultado aumentam o temor do fracasso e o desgaste mental.
“O estudante precisa de apoio, de incentivo e segurança emocional. A família deve transmitir essa confiança, sabendo que houve uma preparação e que esse sentimento da família querer o melhor, não pode acabar prejudicando o estudante, nesse momento”, conclui Amorim.
